Morrer não se improvisa…viver também nao…obrigada, Bel!

Morrer não se improvisa é o título do livro que me fez saber que rumo eu, no momento certo, iria dar a minha vida. Mal sabia eu, que o rumo já tinha sido tomado, há tempos, bem antes daquele encontro com o livro numa loja de produtos, digamos esotéricos, em Búzios, no Reveillon de 2001, no início de um novo século.

Fui atraída para a minha inspiração (o livro) pelo cheirinho do incenso que sempre me fascinou (sou ligadíssima a cheiros…acho que existe uma palavra pra isso, vou consultar meu pai João, minha wikipedia viva) da tal loja esotérica. Depois de passear bastante entre os objetos que variavam de abajoures a fontes e cristais, saboreando o perfume dos incensos, naquele dia chuvoso (ainda que estivesse sol, provavelmente eu nao estaria na praia), me deparei com o livro da Bel Cesar, que na capa dizia (e diz): “Relatos que ajudam a compreender as necessidades emocionais e espirituais daqueles que enfrentam a morte”. UAU! Era isso (e é)! Dali em diante e até hoje, busquei o caminho da formação teórica e prática para executar com preparo e sabedoria a tarefa proposta por Bel.

Vou contando a historinha devagar, mas hoje, registro aqui dois agradecimentos: Bel Cesar e Alcio Braz.

Ao meu amigo Nado, falei por telefone…e fiz o agradecimento em voz.

Gratidão também, a todos os meus amados pacientes de consultório nesses 16 anos, que, nesse momento de assumir o meu desejo profissional de uma vez por todas e direcionar de fato meu atendimento àqueles que tem dor e sofrem o medo, a proximidade, a expectativa ou a realidade da morte, possam estar se sentindo desamparados (são, na maioria, pacientes que me procuraram para clinica medica e acupuntura). Estou aqui.

“Morrer nao se improvisa” – Bel Cesar, ed Gaia, 2001

Site da Bel: http://somostodosum.ig.com.br/d.asp?i=70

Aqui, transcrevo um dos seus artigos:

Arriscar-se para prevenir
:: Bel Cesar ::

Certa vez, escutei um mestre budista dizer: Existem duas formas de sair do sofrimento: uma via inteligência, outra via sofrimento. Em geral, escolhemos a segunda, porque só quando o sofrimento se torna insuportável é que nos decidimos a buscar soluções que nos ajudem a superá-lo.

Assim como a medicina ocidental está mais voltada para tratar das doenças do que para preveni-las, estamos mais condicionados a buscar formas de superar o sofrimento emocional só quando sentimos a dor de termos ultrapassado nossos limites. Ou seja, será que é preciso tocar o limite de nossa dor para mobilizarmos as forças para sair dele? Temos que sofrer para almejar algo melhor para nossa vida?

Infelizmente, muitas vezes preferimos nos acomodar a nos arriscar. Assim, perdemos as janelas de oportunidade que a vida nos oferece. Mais tarde, nos arrependemos quando sentimos as consequências de termos passado do ponto. Aí, temos que fazer um esforço extra para nos darmos uma nova chance.

É preciso ter força física, mental e emocional para arriscar-se. Em nosso corpo temos dois hormônios responsáveis por nos gerar formas distintas de coragem. O cortisol, que nos dá a força de defesa, e o DHEA, que nos ajuda a ter a coragem para nos aventurarmos diante dos desafios.

O psiquiatra Dr. Sergio Klepacz nos esclarece que quando somos jovens, os níveis de DHEA costumam ser bem maiores que os do cortisol. Quando envelhecemos, em geral, acontece o contrário, nosso DHEA cai e o cortisol sobe. Isso pode explicar a coragem e o destemor do jovem e a resignação e o acuamento do idoso.
Por que não cuidamos do corpo para aproveitar a maturidade da vida adulta enquanto temos força e coragem?

É muito interessante saber que o DHEA começa a ser secretado pela suprarenal entre os oito e dez anos de idade, atingindo seu pico entre os vinte e trinta anos. Aliás, a fase da vida mais apropriada para a reprodução. A partir de então, o DHEA começa a decrescer atingindo, aos 80 anos, 20% do seu valor máximo.
O problema é que diante do estresse da vida diária, o cortisol também tende a subir. Por isso, muitas vezes sentimos que gastamos mais energia nos defendendo da vida do que sendo criativos.

Conforme envelhecemos, deixamos cada vez mais de correr riscos desnecessários, pois estamos voltados a encontrar prazer em ambientes e relacionamentos mais seguros, onde podemos finalmente relaxar, descansar.

A princípio não há nada de errado em encontrar uma zona de conforto segura e agradável. Mas, o ponto é que ela só existe por tempo limitado. Se não somos nós a buscarmos novos desafios, eles chegam até nós…

O conforto é bom, mas não podemos ficar viciados nele, pois a sua realidade é instável. O mestre budista Trungpa Rinpoche alertava em seus ensinamentos sobre o perigo de usarmos o conforto para escapar da nossa inquietude ao invés de conhecê-la. Ele ressaltava que verdadeira ausência do medo não é a sua supressão, “mas, sim, o ato de ir além dele, superá-lo”. Para tanto, temos que conhecer nossos desconfortos, como medo, ansiedade, nervosismo, preocupação e inquietação. Pois eles revelam tanto nossas falsas percepções como nos dão a possibilidade de não segui-las.

Na realidade, mesmo quando a vida está tranquila, temos que mobilizar nossa coragem interior. Mas, quando estamos diante de dilemas maiores torna-se imprescindível ter a coragem de se arriscar. Assim como disse certa vez Al Gore: Não arriscar nada é arriscar tudo.

Afinal, por que não se acomodar? Primeiro, porque não solucionamos o desconforto do sofrimento; segundo, porque de um modo ou de outro temos que seguir em frente… Então, é melhor não acumular frustrações, mas, sim, superá-las!

Bel Cesar em: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=09947

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Sobre adrianathomaz

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