GIRASoHL – projeto voluntário

http://cuidadostotaisaofimdavida.blogspot.com/

Educação nos Temas Ligados ao Fim da Vida e aos Cuidados Paliativos no Contexto Hospitalar
Trabalho apresentado no III Congresso Internacional de Cuidados Paliativos
Brasília, 27 a 29 de novembro de 2008

Autor: Adriana Thomaz – THOMAZ, A.
Médica clínica com atuação em Cuidados Paliativos e Saúde Mental ao Fim da Vida, Cuidados terapêuticos Psico-Oncológicos e Luto.
adriana.thomaz@gmail.com

Hospital da Lagoa (Hospital do SUS) – Rua Jardim Botânico, 501, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Justificativa:
O programa GIRASoHL constituiu um projeto piloto com duração de dois anos, concebido de forma a fundamentar e organizar a prática do serviço voluntário voltado para o Fim da Vida realizado em Hospitais, oferecendo uma base sólida teórico-prática na Condução e Entendimento dos Processos da Morte e do Morrer e dos Cuidados Paliativos (CP), na dimensão bio-psico-social do ser humano. Teve início em 2005, no Hospital da Lagoa (HL), Rio de Janeiro, Brasil, e é dirigido à educação e formação do voluntário que, uma vez preparado e adequadamente treinado, realiza serviço de acolhimento ao paciente e sua família e oferece apoio aos Profissionais de Saúde no contexto hospitalar. O Treinamento do Voluntariado faz parte das condutas da OMS e foi publicado no NCP Clinical Practice Guidelines for Quality Palliative Care em 2004, nos EUA.

Metodologia:
O conteúdo é apresentado aos voluntários, todos maiores de 18 anos, de qualquer área de atuação profissional, através de aulas teóricas e Dinâmicas de Grupo relacionadas ao tema da Morte seguidas de espaço para suas colocações de experiências anteriores com perdas e Luto. Estes encontros acontecem uma vez por semana por seis meses, quando então, começa o trabalho à beira do leito. É obrigatória a partir daí a participação no Projeto de Educação Continuada e de Supervisão, onde os casos são discutidos com o Coordenador, semanalmente, facilitando assim a exposição das questões emocionais dos voluntários e elaborando-se estratégias de ação. Após seis meses de prática / visitação sob supervisão, o voluntário está apto formar novos voluntários, passando a compor o grupo de educadores.

Objetivos:
O GIRASoHL tem como objeto de estudo a atenção a pacientes em estágio terminal, suas famílias e cuidadores além da Equipe de Saúde. O marco teórico procura combinar perspectivas das ciências sociais e do voluntariado. Objetiva educar e formar novos educadores que compreendem que o estágio terminal da doença é uma situação complexa que ultrapassa o limite do simplesmente biológico. Do ponto de vista do paciente há necessidade de inclusão de todas as dimensões da sua subjetividade – psíquicas, familiares, culturais e sociais –, o que é mais grave quando se trata de pessoas carentes de recursos sócio-econômicos, como é o caso da maioria dos Hospitais Públicos no Brasil.
O projeto tem como objetivo compreender as representações sociais e emocionais dos pacientes frente à expectativa da morte e aplicar a experiência de cuidados paliativos complementares aos oferecidos no Hospital, promovendo o movimento de humanização da atenção a pacientes terminais, suas famílias e profissionais de saúde envolvidos nos Cuidados Paliativos, na terminalidade da vida, ou na iminência da mesma. São utilizadas as técnicas de visitas e de observação participante. Os pacientes são acompanhados semanalmente, muitas vezes diariamente, pelos voluntários já treinados nos modelos descritos anteriormente. São oferecidos ainda, Grupos de acolhimento para os familiares enlutados e Grupos de Apoio dirigidos aos profissionais de saúde.

Conclusão:
Observamos que os pacientes muitas vezes percebem a iminência da morte sem falar diretamente sobre ela por não encontrarem “espaço” para tanto. Sentem sinais e sintomas físicos da proximidade da morte e percebem os “sinais” emitidos por familiares e pelos profissionais de saúde que deles tratam. Oscilam entre estados de negação e de aceitação, mantendo ou não esperança na reversão do quadro. Parecem muitas vezes conformados com o estágio atual, mas revelam incompreensão sobre o que lhes aconteceu, acontece e acontecerá. Alegam, por vezes, terem sido mal informados sobre os procedimentos médicos a que se submeteram. Conclui-se que ainda falta comunicação. Falta comunicação porque o Pacto de Silêncio ainda é uma realidade dentro da maioria dos hospitais caracterizando a FALTA DE EDUCAÇÃO PARA A MORTE. Desta forma, é de grande valia a participação do voluntário treinado e, portanto, capaz de sentar-se ao lado do paciente terminal, ouvi-lo nos seus momentos finais que passam por desabafos e até momentos de silêncio “sustentado”, tornando-se uma “ponte” entre o paciente e o profissional de saúde. O que se pretende com tal apoio emocional é ajudar o paciente a continuar VIVO até o momento de sua morte, ao invés de começar a morrer a partir do momento de sua internação ou até de seu diagnóstico de doença potencialmente fatal. Percebemos ainda, que há uma lacuna na formação e preparo dos profissionais de saúde para lidarem com a morte, o que faz necessário existir estudos e práticas de suporte à estes profissionais, para que eles, por sua vez, possam fornecer o devido suporte que lhes é exigido pelos pacientes e familiares.

A partir destas conclusões, desenvolvemos, além da visitação direta aos pacientes, outras ações:

1-Palestras proferidas pelos voluntários aos funcionários do Hospital, no tema da Finitude e dos Cuidados Paliativos humanizados.

2- Encontros com os familiares dos pacientes internados, utilizando RECURSOS DIDÁTICOS como a exposição de filmes, músicas e poesias, facilitando-lhes a expressão do sentimento e possibilitando a troca de experiências, o que caracteriza o trabalho do Luto Antecipatório.

3- Grupos de acolhimento para os familiares enlutados, no pós-óbito, durante seu processo de Luto, dando continuidade ao cuidado que receberam durante o tempo de hospitalização.

4- Grupos de Apoio dirigidos aos profissionais de saúde.

Sugestões foram dadas à direção do HL para a Humanização dos Cuidados Paliativos visando uma adaptação do “cenário do fim da vida”, evitando-se “isolar” o paciente no processo do morrer: No ambiente físico, detalhes como a presença de cores nas paredes, quadros, etc. O estabelecimento de um local reservado para relaxamento e/ou períodos de silêncio, favorecendo o respeito à dimensão espiritual (não se trata em absoluto de qualquer religião específica); O desenvolvimento da possibilidade do paciente (apto à) passear pelo espaço verde dos jardins do Hospital, sob supervisão, além do estímulo à presença constante de acompanhantes incluindo condições de alimentação oferecidas aos mesmos pelo Hospital.

Foi apresentado ainda à direção do Hospital, um projeto para a Normatização do Óbito Hospitalar.

A elaboração de um projeto a ser apresentado para a instalação de uma UNIDADE DE CUIDADOS PALIATIVOS no Hospital da Lagoa encontra-se em fase de conclusão.

Palestras foram proferidas no exterior para a disseminação deste modelo organizacional de Serviço Voluntário em CP nos EUA, Alemanha, Noruega e Itália, onde Dra. Adriana recebeu a acreditação e um grande estímulo para a continuidade do projeto de médicos e psicólogos renomados como Dr. William Breitbart, Dr. Martin Fegg, Dra. Karen Hagen e Dr. Gian Borasio.

Reflexões Finais

“A educação para a morte e a formação de formadores, ou seja, voluntários capazes de educar novos voluntários, capacitando-os para a continuidade do trabalho realizado no hospital, constituiu para mim, um princípio básico, essencial para a disseminação do que pode vir a ser um modelo de treinamento de voluntariado em hospitais. Relatos positivos foram ouvidos com freqüência, vindos dos funcionários do HL, dos pacientes e suas famílias, diminuindo talvez seus processos de solidão e sofrimento diante do encontro com a terminalidade e a finitude da vida, fazendo-se, portanto, o voluntário, de enorme importância à beira do leito. Pode-se ainda concluir que os voluntários sentem-se especialmente gratificados com o trabalho realizado por eles no GIRASoHL na medida em que relatam mudanças positivas significativas em suas vidas. Peter Temes afirma que quanto mais se foca em ajudar os outros, maior é o sucesso em atingir seus próprios objetivos e ainda cita Aristóteles e sua noção de que a felicidade não é um estado psicológico, mas moral, resultado de fazer o bem para o mundo.”
Adriana Thomaz

Concepção e Coordenação: Dra. Adriana Thomaz;
Responsável técnico no Hospital da Lagoa: Dr. Alcio Braz;

Projeto desenvolvido nos EUA pelo National Consensus Project que é formado pela American Academy of Hospice and Palliative Medicine, Center to Advance Palliative Care, Hospice and Palliative Nurses Association e National Hospice and Palliative Care Organization (http://www.nationalconsensusproject.org/ )

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MODELO ORGANIZACIONAL na ÁREA dos CUIDADOS PALIATIVOS e do VOLUNTARIADO

Desenvolvido para o Hospital da Lagoa, SUS – Rio de Janeiro.

Tema principal: EDUCAÇÃO NOS TEMAS LIGADOS AO FIM DA VIDA e AOS CUIDADOS PALIATIVOS NO CONTEXTO HOSPITALAR

Autor: Adriana Thomaz

Thomaz A

Médica

Hospital da Lagoa

Rua Jardim Botanico 501 – JB

Rio de Janeiro, RJ

Resumo

Justificativa: O programa GIRASoHL foi concebido de forma a fundamentar e organizar a prática do serviço voluntário voltado para o Fim da Vida realizado em Hospitais, oferecendo uma base sólida teórico-prática na Condução e Entendimento dos Processos da Morte e do Morrer e dos Cuidados Paliativos, na dimensão bio-psico-social do ser humano. É dirigido à Educação e Formação do voluntário que, uma vez preparado e adequadamente treinado realiza serviço de acolhimento ao Paciente e sua Família e oferece apoio aos Profissionais de Saúde.

Metodologia: O conteúdo é apresentado ao voluntário não só em aulas teóricas, mas através de Dinâmicas de Grupo além de atividades com músicas e poesias relacionadas ao tema da Morte e principalmente espaço para as colocações pessoais de cada um. Estes encontros (aulas) acontecem 1 vez por semana por 6 meses, quando então, começa o trabalho à beira do leito. É obrigatório a partir daí a participação do Projeto de Educação Continuada e dos Encontros de Supervisão, onde os casos são discutidos em grupo e com o Coordenador (Dra. Adriana Thomaz), uma vez por semana.

Objetivos: O GIRASoHL tem como objeto de estudo a atenção a pacientes em estágio terminal. O marco teórico procura combinar perspectivas das ciências sociais e do voluntariado. Objetiva educar e formar novos educadores que compreendem que o estágio terminal da doença é uma situação complexa que ultrapassa o limite do simplesmente biológico. Do ponto de vista do paciente há necessidade de inclusão de todas as dimensões da sua subjetividade – psíquicas, familiares, culturais e sociais –, o que é mais grave quando se trata de pessoas carentes de recursos sócio-econômicos, como é o caso da maioria dos Hospitais Públicos no Brasil.

O projeto tem como objetivo compreender as representações sociais e emocionais dos pacientes frente à expectativa da morte e aplicar a experiência de cuidados paliativos complementares aos oferecidos no Hospital, promovendo o movimento de humanização da atenção a pacientes terminais, suas famílias e profissionais de saúde envolvidos nos Cuidados Paliativos, na terminalidade da vida, ou a iminência da mesma. São utilizadas as técnicas de visitas e de observação participante. Os pacientes são acompanhados semanalmente, muitas vezes diariamente pelos voluntários já treinados nos modelos descritos anteriormente e que continuam a participar dos encontros semanais de Educação Continuada e de Supervisão dos casos assistidos por eles.

Conclusão: Após 2 anos observamos que os pacientes muitas vezes percebem a iminência da morte sem falar diretamente sobre ela por não encontrarem “espaço” para tanto. Sentem sinais e sintomas físicos da proximidade da morte e percebem os “sinais” emitidos por familiares e pelos profissionais de saúde que deles tratam. Oscilam entre estados de negação e de aceitação, mantendo ou não esperança na reversão do quadro. Parecem muitas vezes conformados com o estágio atual, mas revelam incompreensão sobre o que lhes aconteceu, acontece e acontecerá. Alegam, por vezes, terem sido mal informados sobre os procedimentos médicos a que se submeteram. Conclui-se que ainda falta comunicação. Falta comunicação porque o Pacto de Silêncio ainda é uma realidade dentro da maioria dos hospitais caracterizando a FALTA DE EDUCAÇÃO PARA A MORTE. Desta forma, é de grande valia a participação do voluntário treinado e, portanto, capaz de sentar-se ao lado do paciente terminal, preparado para se necessário, ouvi-lo nos seus momentos finais que passam por desabafos, momentos de silêncio “sustentado” e lágrimas de dor e de alegria, muitas vezes servindo como “ponte” entre este e o profissional de saúde. O que se pretende com tal apoio emocional é ajudar o paciente a continuar VIVO até o momento de sua morte, ao invés de começar a morrer a partir do momento de sua internação ou até de seu diagnóstico de doença potencialmente fatal.

Além dessas observações, construímos ao longo do tempo, sugestões práticas para a melhora dessas condições:

1-Palestras proferidas pelos voluntários aos funcionários do Hospital, no tema da Finitude e dos Cuidados Paliativos humanizados.

2-Grupos de acolhimento para os familiares enlutados.

3-Grupos de Apoio dirigidos aos profissionais de saúde.

4-Encontros com os cuidadores e/ou familiares dos pacientes internados, utilizando RECURSOS DIDÁTICOS como a exposição de filmes, músicas e poesias, facilitando-lhes a expressão do sentimento e possibilitando a troca de experiências.

Estes estão entre os nossos Projetos, alguns já realizados no Hospital da Lagoa como o CUIDANDO DE QUEM CUIDA, destinado aos Profissionais de Saúde e o GRUPO COLU, que destinou-se aos familiares dos pacientes após a morte de seu ente querido, durante seu processo de Luto, dando continuidade ao cuidado que receberam durante o tempo de hospitalização.

Sugestões diretas dadas à direção do HL para a Humanização dos Cuidados Paliativos:

Adaptação ao “cenário do fim da vida”, também fazem parte do processo de Educação, como evitar os rituais usuais de um hospital, com o tradicional exemplo do “biombo”, utilizado anteriormente para “isolar” o paciente e as condutas finais no momento da morte.

No ambiente físico, detalhes como a presença de cores nas paredes, quadros, etc.

Faz-se necessário o estabelecimento de um local reservado para relaxamento e/ou períodos de silêncio, favorecendo o respeito à dimensão espiritual (não se trata em absoluto de qualquer religião específica);

A possibilidade do paciente (apto à) passear pelo espaço verde dos jardins do Hospital, sob supervisão;

O estímulo à presença constante de acompanhantes nas fases finais incluindo condições de alimentação para o mesmo.

Foi apresentado ainda, à direção do Hospital, um projeto para a Normatização do Óbito Hospitalar.

Concepção: Dra. Adriana Thomaz

Responsável técnico: Dr. Alcio Braz

Detalhamento do Projeto

  • TÍtulo da Atividade Educativa

EDUCAÇÃO NOS TEMAS LIGADOS AO FIM DA VIDA e AOS CUIDADOS PALIATIVOS NO CONTEXTO HOSPITALAR

  • Coordenação Geral

Adriana Thomaz, médica, Membro Ativo da Sociedade Internacional de Psico-Oncologia (IPOS) e da Associação Internacional de Hospice e Cuidados Paliativos (IAHPC) e da Academia Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), com treinamento teórico-prático em Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos no SKMCC[1] em Nova Iorque com Dr. William Breitbart e formada no Curso de Aprimoramento em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto pelo Instituto de Psicologia 4 Estações, em São Paulo, além de participar como palestrante apresentando o Modelo Organizacional de Trabalho Voluntário no Contexto Hospitalar, no Centro de Cuidados Paliativos do Hospital Universitário de Munique, Alemanha, a convite do Dr. Gian Borasio e Dr. Martin Fegg e na Instituição Voluntária Franciscus Helpfern, serviço especializado em Home-Hospice em Oslo, Noruega, a convite da Dra. Karen Hagen.

  • Setor e Local de Atuação:

Hospital Geral da Lagoa

Breve Histórico da Entidade e da Proposta Educativa:

O programa voluntário nasceu a partir de um grupo de meditação budista, conduzido pelo Doutor Alcio Braz. Com estímulo e a convite de Dra. Adriana Thomaz, uma das integrantes deste grupo de meditação, surgiram, no mês de maio do ano de 2005, os primeiros voluntários do que se tornaria o GIRASoHL.

Foi dado início então às reuniões semanais de cerca de duas horas de duração com o objetivo de formar e preparar este grupo de voluntários que rapidamente se multiplicou, passando a ser constituído de outras pessoas além do grupo de meditação.

A escolha do nome para o grupo partiu de uma sigla, a saber – Grupo Interdisciplinar de Atuação Solidária do Hospital da Lagoa, que ao ser apresentada para o grupo, passou a ser entendida pela abreviação das letras H e L, Humanitária e Livre, já que foi prevista a possibilidade do projeto se estender para além dos muros do Hospital da Lagoa.

O projeto aconteceu durante os anos de 2005 e 2006, entrando em recesso a partir do ano de 2007. Apenas algumas atividades continuam acontecendo, de maneira informal, como as visitas à beira do leito, pelos voluntários treinados no decorrer do projeto.

Durante dois anos, mais de 50 pacientes foram apoiados e cuidados no seu processo de morrer, com oferta de suporte emocional também aos seus familiares e entes queridos. Cerca de 20 profissionais de saúde, dentre eles médicos, residentes, enfermeiros e até os funcionários da cantina de alimentação, foram tocados pelo movimento de educação para a morte e para os cuidados ao fim da vida, mudando o conceito de morte interdita, luto não autorizado ou não franqueado e dignidade como base dos Cuidados Paliativos no contexto hospitalar e fora dele.

  • Responsáveis técnicos pelo projeto

Dr. Alcio Braz, pelo setor de Saúde Mental e Dra. Rima Farah, pelo Centro de Estudos do Hospital da Lagoa.

  • Modo de Encaminhamento dos Pacientes/Familiares ao Projeto

Formal: Dr. Alcio Braz e outros médicos do setor de Saúde Mental.

Informal: Enfermeiras da Quimioterapia ou dos andares e os pacientes/familiares já acompanhados pelo grupo “indicam” outros pacientes/ familiares para receberem o mesmo acompanhamento.

  • Objetivo Geral

Formar um grupo voluntário treinado e preparado para a condução não só de visitas aos pacientes terminais do Hospital da Lagoa, como para a Educação para a Morte junto aos profissionais de saúde, pacientes e familiares.

  • Objetivos Específicos da Atividade Educativa:

Ressaltar a importância do voluntariado no contexto hospitalar, especificamente voltado para o acolhimento emocional dos pacientes diante da terminalidade e finitude da vida, em seus processos muitas vezes solitários e angustiantes. Esta proposta visa ainda, solidificar o papel importante do voluntário treinado no que diz respeito ao acolhimento das famílias em seus lutos antecipatórios, a partir do momento do diagnóstico de uma doença potencialmente incurável e nas muitas e longas internações hospitalares. Propõe-se ainda, a investigar um novo campo de atuação dos voluntários no contexto hospitalar: a Educação para a Morte, para as Perdas e para o Luto. De acordo com a literatura e com a prática da coordenadora, Dra. Adriana Thomaz, este desenho de projeto voluntário, através dos grupos de acolhimento e reflexão para os profissionais de saúde, também reforça a importância do Cuidado aos Cuidadores. Refere-se aqui, ao cuidado aos profissionais de saúde, que vivem o chamado luto do profissional, na maioria das vezes não reconhecido. Despreparados emocionalmente para o enfrentamento dessas situações no seu cotidiano, momentos de stress, impotência, sensação de fracasso e isolamento são freqüentes. Este trabalho pretende ainda estimular a disseminação deste modelo de capacitação de voluntários, pois acredita-se no seu potencial transformador de vidas, re-significadas através do exercício pleno desta atividade.

  • Principais Atividades desenvolvidas no Ambiente Hospitalar

#Visitação à beira do leito

Acontece durante a semana obedecendo a uma escala montada semanalmente, durante a Supervisão, onde são apresentados os Relatórios de visitação.

A duração depende de cada caso e da disponibilidade do Voluntário e da  necessidade do paciente e sua família. Mínimo: 2 horas por semana.

Supervisão das visitas oferecida pela Coordenação: Acontece uma vez por semana dentro do Projeto de Educação Continuada (obrigatório). A duração é de 1 hora aproximadamente e se dá com todos os voluntários que já fazem a visitação ao pacientes e suas famílias, à beira do leito.

Elaboração de Relatórios

Relatórios são feitos por todos os voluntários após cada visita e enviados ao grupo por e-mail e são apresentados uma vez por semana ao Supervisor e discutidos em grupo.Ver anexo 2.

#Grupo de Apoio Voluntário COLU (Grupo de Apoio à familiares Enlutados)

Aberto ao público interessado em compartilhar e trocar experiências sobre a perda de um ente querido.Colu significa COMPARTILHANDO O LUTO

Periodicidade: Encontros semanais por 3 meses ou mais. O principal objetivo do Grupo de Apoio CoLu é a troca de vivências, a livre expressão dos sentimentos e a possibilidade de falar sobre a perda de alguém especial abertamente . Através da troca de experiências, de conversas e de técnicas adequadas, os componentes do grupo auxiliam-se e confortam-se compartilhando a dor, a saudade e o luto e, desta maneira, revelam como cada um busca enfrentar a perda e continuar a vida. Pelas trocas realizadas, o grupo se faz um poderoso agente de transformação.

O Grupo de Apoio é não diretivo, aberto e flutuante, isto é, participam as pessoas que quiserem, quando quiserem, sem qualquer ônus. Exige-se porém comprometimento com as tarefas e com a forma de funcionamento estipulada. Não é necessário ter qualquer vínculo com o Hospital, porém é um importante agente de conforto aos familiares atendidos pelo GIRASoHL antes e depois da morte de seu ente querido.

Regras Básicas: Ver Anexo 4

#MODELO de Grupo de Apoio aos Profissionais de Saúde – Cuidando de Quem Cuida

Objetivo: Possui a finalidade de compor um espaço de aprendizagem e troca diante da situação de perda e morte vividas pelo profissional de saúde no seu dia-a-dia.

Periodicidade: 10 encontros semanais de 50 minutos. Horários foram previamente combinados com a chefia dos setores.

Justificativa: Não há suporte profissional institucionalizado para ajudar no enfrentamento da morte ou das doenças graves potencialmente incuráveis. A vivência do stress pelo contato constante com a possibilidade e a ocorrência da morte pode ser pensada como uma vivência de um luto do profissional em relação aos pacientes perdidos e à sua situação de trabalho.

Na medida em que a morte é uma questão assustadora, temida e incômoda, o trabalho no hospital, onde o contato com a possibilidade ou ocorrência da morte é constante, pode provocar sentimentos muito intensos nos profissionais de saúde como medo, angústia, ansiedade e muitas vezes sintomas físicos. A morte de um paciente causa um impacto muito grande na identidade pessoal e profissional de toda a equipe que cuida do paciente. O modo como o profissional compreende o conceito de morte, bem como a forma que relaciona este conceito com sua própria existência e as suas vivências pessoais de perdas anteriores dentro e fora do âmbito profissional, são aspectos que influirão na sua atuação diante da morte.
Pacientes e familiares projetam no profissional de saúde aspectos emocionais decorrentes da situação de hospitalização e/ou da gravidade da doença, o que leva o profissional a utilizar-se de mecanismos de defesa, para proteger-se da ansiedade gerada pela pressão dos pacientes, familiares e também pela cobrança pessoal.
A negação da morte é um mecanismo constantemente utilizado pelos profissionais, o que acaba por impossibilitar o reconhecimento das angústias do paciente e familiares frente a morte, não favorecendo a elaboração do luto.

Conclusão:

• há uma lacuna na formação e preparo dos profissionais de saúde para lidarem com a morte.
• há uma tendência, por parte de médicos, enfermeiros e psicólogos, em falar mais sobre vida, negando-se, muitas vezes, a iminência da morte. Esta posição pode inviabilizar a vivência do luto antecipatório.
• a ausência de suporte profissional na instituição contribui para a não realização de trabalhos para ajudar no enfrentamento da morte tanto para as famílias quanto para os profissionais. A prática deste trabalho de enfrentamento é muitas vezes, de caráter informal.
• a vivência do stress pelos profissionais de saúde devido ao contato constante com a possibilidade e a ocorrência da morte, tal como citado pela literatura, pode ser pensada, a partir dos sentimentos experienciados pelos sujeitos, como uma vivência de um ‘luto do profissional’ em relação aos pacientes perdidos e à situação de trabalho, com possibilidade de desenvolverem a Síndrome de Burnout.

• é necessário existir estudos e práticas de suporte aos profissionais de saúde que trabalham com Cuidados Paliativos, para que eles, por sua vez, possam fornecer o devido suporte que lhes é exigido pelos pacientes e familiares.

#Projeto Integração Corpo-Mente – Cuidando de Quem Cuida

A partir do Grupo de Apoio aos Profissionais de Saúde, surgiu o Projeto Integração Corpo-Mente, no qual alguns voluntários propuseram-se a continuar o cuidado oferecido aos profissionais de saúde do Hospital da Lagoa. Através de sessões de Massoterapia, Shiatsu e Reflexologia, técnicas de massagem específicas que os mesmos já dominavam anteriormente, o projeto se instalou nas dependências do ambulatório, em uma sala cedida para tal atividade, a partir de um agendamento prévio, feito no próprio hospital. As sessões aconteceram uma vez por semana, com duração aproximada de 1 hora, por 6 meses.

As terapias de toque oferecidas no Projeto Integração Corpo-Mente foram muito bem aceitas pelos profissionais, que se revezavam em filas para o agendamento das mesmas. Especialmente no hospital, onde o isolamento é uma constante, tais práticas definem-se como um trabalho importante cuja eficácia deveria ser avaliada a posteriori, no que diz respeito à diminuição dos índices de absenteísmo e Burnout entre estes profissionais, futuramente se constituindo em um objeto de pesquisa científica a ser elaborado com o apoio do Centro de Estudos.

#Meditação

Acontece há cerca de dez anos até a presente data, duas vezes por semana, nos jardins do Hospital, sob coordenação e condução do Dr. Alcio Braz, que além de médico psiquiatra, é também monge budista. A meditação é aberta para todas as religiões. Os pacientes que têm possibilidade de locomoção e que assim desejam, também participam, assim como seus familiares e funcionários do hospital.

Outros Projetos

-Projeto Além dos Muros – Disseminando o Modelo Organizacional do GIRASoHL

A Através de palestras e Workshops em outras cidades do Brasil e fora dele, o GIRASoHL leva seu modelo organizacional de atuação voluntária no tema da Morte Perdas e Luto e dos Cuidados Paliativos, disseminando a valorização da Vida, vivida até o fim. No Brasil, além de São Paulo e Rio Grande do Sul, palestras foram proferidas na Noruega, e Alemanha, pela coordenadora Dra. Adriana Thomaz, que ressalta: “Acredito que tanto quem doa quanto quem recebe, ganha. É uma verdadeira troca. O serviço voluntário deve ser estimulado em todas as idades e classes sociais, por um mundo mais Humano e Livre. E pessoas internamente mais felizes e capazes de valorizar o aqui e agora, a única coisa que possuímos e que é realmente infinita nesta vida. Foram em pessoas mais felizes e plenas que os voluntários que colaborei para a formação, se transformaram. Por isso ir além dos muros. Formar formadores. Ensinar a ensinar”

Houve ainda a intenção do lançamento de um “Selo” (Eu acredito no Viver) com objetivo de alcançar apoio financeiro para os projetos em andamento e projetos vindouros, como a construção de um Hospice, porém tal projeto ainda encontra-se em elaboração teórica.

  • Metodologia e Recursos Didáticos Utilizados:

O Treinamento Teórico-Prático

Obedecendo a um calendário proposto mensalmente e elaborado de acordo com as necessidades do grupo, as aulas teóricas e vivências foram organizadas em encontros semanais de cerca de 2 horas, o que se tornaria o 1º. Curso de Formação para o Serviço Voluntário nas Situações de Morte, Perdas e Luto no Contexto Hospitalar. Material didático produzido para cada aula era oferecido, assim como sugestão de leitura e estudo dirigido, cujos livros eram disponibilizados como empréstimo por 15 dias, quando então deveriam ser devolvidos e passados para outro voluntário.

As vivências obedeciam temas que favoreciam o encontro consigo, propiciando um maior autoconhecimento, onde, de maneira leve e lúdica, os voluntários falavam de si com muita profundidade. Contavam assim suas histórias pessoais e de morte, perdas e luto, compartilhando-as entre si. Segundo Joan Laird (1989), à medida que contamos histórias passamos a nos conhecer, construindo assim, identidades coerentes que extraem sentido do contexto social mais amplo e da nossa conexão com ele. Conforme afirma Susan Griffin (1993), toda história é uma parte de nós, de tal forma que quando as histórias são contadas e os segredos revelados sobre membros da nossa família ou sobre eventos trágicos ocorridos muito tempo atrás ou em lugares remotos, nossas vidas se tornam mais claras.

Além do material áudio-visual do Projeto Falando de Morte, desenvolvido pelo LEM, citado anteriormente, técnicas expressivas como recorte e colagem, desenho e pintura também foram usadas, assim como dramatizações e técnicas de expressão corporal. Após as aulas teóricas sobre as principais doenças como o câncer e o perfil psicológico do portador do câncer e suas relações afetivas, o grupo era convidado a perceber seus próprios sentimento e reações para que ao falar de morte, os voluntários desfizessem suas fantasias infantis e muitas vezes pertinentes sobre o tema. Foram elaboradas vivências com lápis de cor e de cera e massinha de modelar para que trabalhassem seus sistemas de crenças e conceitos sobre a morte, expressando seus conceitos pessoais, medos e raiva.

Perguntas como “Por que quero ser voluntário?”, também foram trabalhadas de forma lúdica, porém profunda, propiciando uma tomada de decisão sincera baseada no entendimento profundo de suas próprias motivações para a escolha de tal trabalho. A seqüência de aulas e vivências realizadas de maio de 2005 até fim de novembro de 2006 encontra-se no Anexo 1.

Ressalta-se ainda o website www.girasohl.com.br[2], veículo de informação e aprendizado onde encontravam-se informações sobre o projeto assim como a biblioteca virtual disponível e links interessantes para estudo e auto-ajuda.

-MODELO para Critérios de Seleção do Voluntário

O voluntário deveria ser maior de 18 anos, de qualquer profissão e que, além da assinatura de um Termo de Compromisso nos modelos da lei, de responsabilidade do Centro de Estudos e que se comprometesse com o treinamento teórico-prático estabelecido como exigência para a atuação.

  • Critérios de Avaliação da Atividade Educativa

“Como coordenadora e idealizadora do projeto, considero a Educação para a Morte o tema mais importante abordado e estudado pelo GIRASoHL além do acolhimento oferecido a beira do leito de morte dos pacientes hospitalizados. “

“As condições físicas e emocionais daqueles que estão morrendo são tão precárias quanto o contato interno que temos com o tema da morte. Precisamos, com urgência, acolher nossa vulnerabilidade frente à morte. Falar sobre ela. Assim, juntos, poderemos desenvolver uma consciência coletiva mais preparada para lidar com as necessidades físicas, emocionais e espirituais daqueles que estão frente à morte.” e posso acrescentar às sábias palavras de Bel César[3], terapeuta dedicada ao cuidado de pacientes frente à morte, que, em nosso trabalho, também nos preparamos para lidar com as necessidades de todos os integrantes da cena de morte no Hospital –médicos, enfermeiros, profissionais de saúde em geral, cuidadores, amigos e familiares. Daí a necessidade do intenso trabalho de preparação feito junto aos voluntários do GIRASoHL. Até a beira do leito existe um caminho a ser percorrido.

“Ao superarmos o preconceito de falar sobre a morte, atenderemos às nossas necessidades ainda não vistas e consideradas pelo mundo externo. No entanto, só seremos capazes de incluir a morte em nossas vidas quando admitirmos com honestidade onde estamos e para onde queremos ir”, ainda citando Bel César, considero que o trabalho voluntário no tema da morte nos proporciona um enorme crescimento pessoal na medida em que nos confrontamos com nossos verdadeiros objetivos e muitas vezes os resignificamos: “Podemos escolher cuidarmos de nós mesmos. Podemos educar nossa mente a seguir positivamente, isto é, a reagir positivamente às adversidades. Podemos treinar a mente a atravessar as dificuldades em vez de negá-las ou de criar uma aversão por elas. Aquele que lida diretamente com suas dificuldades sabe seguir em frente sem se deixar prender por aquilo que deixou para trás.” “Então, vamos encontrar um meio delicado e ao mesmo tempo direto para sondar este tema que desperta áreas obscuras e preconceituosas tanto em nossa cultura como em nosso mundo interno. Vamos falar de coração para coração. Sem preconceitos. Não há nada de errado em morrer quando as causas e condições amadurecem.” Adriana Thomaz

  • Principais Dificuldades Enfrentadas:

Principal: O modo de encaminhamento dos pacientes e familiares para as atividades propostas pelo grupo, assim como para visitação a beira do leito. Não houve aderência suficiente por parte dos médicos e residentes.

E ainda:

-Divulgação e Validação do trabalho realizado pelo GIRASoHL junto ao Corpo Clínico/ Profissionais de Saúde.

-Não possibilidade de comunicação e troca de informações com os médicos sobre o quadro clínico e prognóstico dos pacientes “terminais” ou com Câncer internados.

– Pouca disponibilidade de horários dentro do turno de trabalho para que o profissional de saúde participe dos grupos de apoio educativos e de acolhimento.

-Falta de um espaço próprio (sede).

-Não encaminhamento a partir dos médicos clínicos e oncologistas do paciente terminal e sua família para ser acompanhado pelo GIRASoHL.

-Falta de Recursos Financeiros para a realização de atividades de ensino/ treinamento/ pesquisa e para ajuda aos familiares e pacientes de baixa renda que têm alta porém não conseguem se manter em casa em condições dignas.

-Falta de um funcionário habilitado e preparado para o cuidado com o corpo do paciente pós óbito, na “retirada” da “geladeira” e no “desembalar” do “pacote[4]”, realizado naquela época pelas próprias famílias enlutadas e em situações precárias, principalmente quando o óbito se dava durante o fim de semana.

-Dificuldade em proporcionar encontros de educação e instrução/ discussão sobre temas como Distanásia e Ortotanásia com os médicos e residentes.

#Perspectivas Futuras e Projetos do GIRASoHL

  • O estabelecimento jurídico da ONG GIRASoHL.
  • A atualização e desenvolvimento contínuo do Site http://www.girasohl.com.br
  • A implantação do Projeto GIRASoHL, Arte e Cultura com aulas de arte e pintura para os pacientes, familiares e cuidadores.
  • A condução e treinamento de novas turmas com a participação dos voluntários já treinados no corpo docente.
  • A implantação da sede e biblioteca.
  • A criação do selo GIRASoHL.
  • Produção Literária: A elaboração de material didático próprio – Manuais e Livros didáticos.
  • A implementação do Jornalzinho de circulação interna e material impresso de divulgação interna e externa.
  • A ampliação do sistema de treinamento didático e implantação de novos núcleos em outros hospitais, dentro e fora do Brasil.
  • A capacitação dos voluntários para novos projetos como o Home-Hospice e do Hospice GIRASoHL, dentro do Projeto de Educação Continuada & Além dos Muros.
  • A Implantação de um Serviço de Ajuda Financeira e Cestas Básicas para os pacientes nos intervalos de suas internações ou quando recebem alta – Ajudando morrer em casa, com dignidade – Possível parceria com outras ONGs e Instituições Filantrópicas governamentais ou não.
  • A captação de recursos financeiros e o desenvolvimento de Parcerias e Atividades do 3º. Setor, que viabilizem os projetos acima mencionados.

Conclusão e Reflexão Final

A presença do voluntário no cenário do Hospital, em particular do hospital público e carente de todos os tipos de recursos no Brasil, mostra-se de vital importância especialmente no que diz respeito aos processos de morte, perdas e luto. Há uma carência enorme de pessoal especializado, ou mesmo, preparado para lidar com tais situações. Acredito que grupos de reflexão e acolhimento aos profissionais de saúde, como o desenvolvido pelo GIRASoHL, abrem mais uma possibilidade: O papel do voluntário no contexto hospitalar enquanto Educador.

“Tornar o Brasil mais justo socialmente, de forma a possibilitar a cada brasileiro sentir-se parte ativa da construção de um novo país, sem excluídos, é um sonho no qual me proponho a investir, em parceria com tantas pessoas e instituições, para que se transforme, um dia, em realidade.

Não tenho dúvida de que uma mudança tão profunda passa, necessariamente, pela decisão de cada um de nós de participar desse mutirão em favor da vida.

E creio que essa transformação só pode se dar através da educação.”

Milu Vilela, O voluntariado como estratégia de educação

Artigo publicado no jornal O Estado de S Paulo, Terça-feira, 12 de março de 2002.

A educação para a morte e a formação de formadores, ou seja, voluntários capazes de educar novos voluntários, capacitando-os para a continuidade do trabalho realizado no hospital, constituiu para mim, um princípio básico, essencial para a disseminação do que pode vir a ser um modelo de treinamento de voluntariado em hospitais.

Na medida em que o GIRASoHL se estabeleceu na rotina do Hospital da Lagoa, relatos positivos foram ouvidos com freqüência, vindos dos pacientes e suas famílias, diminuindo talvez seus processos de solidão e sofrimento diante do encontro com a terminalidade e a finitude da vida, fazendo-se, portanto, o voluntário, de enorme importância à beira do leito.

Pode-se ainda concluir que os voluntários sentem-se especialmente gratificados com o trabalho realizado por eles no GIRASoHL na medida em que relatam mudanças positivas significativas em suas vidas. Em The Power of Purpose – Living Well by Doing Good, Peter S. Temes afirma que quanto mais se foca em ajudar os outros, maior é o sucesso em atingir seus próprios objetivos e ainda cita Aristóteles e sua noção de que a felicidade não é um estado psicológico, mas moral, resultado de fazer o bem para o mundo.

“Não sei se ser voluntária me torna uma pessoa melhor, mas com certeza me torna mais consciente da minha responsabilidade perante o outro ser humano, me faz repensar nos meus valores pessoais de vida e não me deixa acomodar diante dos desafios, me faz querer aprender mais para servir com mais qualidade e responsabilidade.”

(os grifos são meus)

Marlene de Oliveira, voluntária do Hospital Albert Einstein, São Paulo.

Portanto, este trabalho deixa uma questão a ser investigada: Voluntários e Pacientes Terminais: Quem Realmente Doa e Quem Realmente Recebe?

# Referências Bibliográficas

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Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Voluntariado. Disponível em: http://www.einstein.br/voluntariado, acesso em 25 de novembro de 2006.

[1] Sloan-Kettering Memorial Cancer Center

[2] Atualmente o site está desativado.

[3] Bel Cesar é Terapeuta. Dedica-se ao atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte. Autora do livro “Morrer Não Se Improvisa”. Citações retiradas do “Coletânea de textos sobre Cuidados Paliativos e Tanatologia” da UNIFESP, 2006.

[4] Termo utilizado rotineiramente para o corpo morto embalado em lençóis, entre os funcionários de vários hospitais no Brasil.

[5] Nem todas as referências bibliográficas foram citadas no texto deste trabalho, porém aqui estão por terem feito parte da elaboração do material didático utilizado na Formação e Treinamento dos Voluntários do GIRASoHL, conforme a seqüência de aulas e vivências relatadas nos ANEXOS.

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Sobre adrianathomaz

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Uma resposta para GIRASoHL – projeto voluntário

  1. MARIA NALVANIR SOARES LOPES disse:

    Boa tarde Adriana,sou tecnico de saúde bucal,moro na cidade de assú rn.trabalho no posto de saúde do bairro bela vista, na mesma cidade.venho a procurar ajuda.preciso elaborar um projeto.fasso palestras sobre saúde bucal nas escolas,e quero fazer visitas com colegas de trabalho no hospital da minha cidade:para tirar um sorrizo, esperança,e outro mais,aos pacientes.vai ser muito gratificante para mim. Agradeço: Nalvanir Soares

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