Meu presente, a Bel, o Natal, 2014.

Querido amigo,

Depois de um ano cheio de desafios pessoais, minha mensagem de Natal e Ano Novo para vocês que me leram e que me lêem, é, na verdade, um presente. O meu maior presente recebido, compartilhado.

Quero que você receba a alegria e a emoção que me foi estar diante da luz da presença de quem me inspirou e ensinou que o que realmente temos a oferecer é o modo como levamos nossa vida: o meu encontro com a Bel Cesar. (Foto)

No seu livro “Mania de Sofrer”, Bel Cesar diz que certa vez ouviu essa frase da cacique Oshiná: “o que realmente temos a oferecer é o modo como levamos nossa vida”. Ela guardou e compartilhou. Eu guardei e compartilho. Espero que você guarde, compartilhe e mais que isso, aprofunde, mais ainda, o conhecimento sobre você mesmo para colocar a frase em prática, sem medo.
Seja quem você é, seja sincero na busca do autoconhecimento. Reflita, reflita, reflita.
Especificamente se você perdeu alguém que ama, não obedeça padrões, não tire conclusões precipitadas sobre como sua vida será daqui pra frente. Cuidado para não se predestinar à dor e a frustração eternas. Não crie marcas mentais negativas que impedirão a sua percepção do presente. O amor é presente. O luto tem começo, meio e fim. Sua dor, essa que você tem que acolher no momento, essa que é horrível, ela vai mudar, vai se transformar numa outra dor, suportável, tolerável, da qual você tem ou terá controle, conhece ou conhecerá e dominará os recursos para tê-la como uma companheira de viagem que não te impedirá de ter seus momentos de felicidade (ninguém vive em plena felicidade o tempo todo).
O segredo está em relacionar-se com o real. Conhecer o luto, a dor, entender mesmo o que é esse processo que você está vivendo. A partir da morte de alguém muito amado e significativo, você tem a oportunidade de abandonar aquela idéia rígida de que você é em termos de limitações e manias e abandonar frases do tipo “eu sou assim mesmo” “mas eu sempre fui assim, não vou mudar”. No luto, o potencial transformador de vidas é absoluto. Você, de certa forma, morreu também. Aquela pessoa, daquele jeito, com aquelas tarefas, não existe mais. Então, entenda profundamente o processo e renasça.
Não é tarefa fácil, no entanto. Nunca disse que seria, os que me conhecem e lêem, sabem disso. Porém, é possível.
Observar nosso sentimento, nossa mente, sem julgamento, interessado em conhecer todos os sentimentos e discriminá-los, é um primeiro passo, na direção de você mesmo.
Respirar e acolher o sofrimento, sem estimular, aumentar, sem escolher permanecer no sofrimento, apenas reconhecer que ele chegou, é o segundo passo. Assim como o bem estar, a alegria, quando ela vier.
Ter a intenção de soltar, de libertar o sofrimento, uma etapa a ser alcançada. Assim como se permitir estar bem e alegre.
Técnicas e instrumentos podem ser desenvolvidos para a facilitação da etapa da libertação do sofrimento, aqui, objetivo de todos nós, não só de quem esta vivendo um luto. A meditação, a busca do sagrado, de uma atividade exclusivamente realizada por prazer, como eu posso dar de exemplo, a fotografia na minha vida, são as ferramentas a que me refiro.
Busque as suas.

Bons encontros, como o que eu tive esse ano, é o que te desejo. Encontros que te facilitem o desenvolver de suas ferramentas de cura interior.
A leitura e o estudo da filosofia budista, que incorporei na minha vida prática diária, me é ferramenta. Desde 2001, a partir do livro Morrer não se Improvisa, tomei refúgio nos ensinamentos de Bel, do Bem. Nossos mestres não precisam ser Lamas, Santidades. Nossas religiões não precisam ser as descritas e os textos proferidos pelas bocas dos fiéis, os nossos. Fiz uma colcha de retalhos. Muitos me ensinaram a costurar e lhes sou grata e, de alguma forma, os considero mestres e lhes tenho devoção. Dessa colcha me aqueço e aqueço os que me vêm procurar.

Que você possa sentir, e compartilhar as bênçãos que eu recebi e o amor que inundou meu coração, apenas por ter estado pela primeira vez na presença de um abraço verdadeiro e demorado, de uma pessoa que eu considero uma inspiração,

Esse é meu presente de Natal. Meu desejo de um 2014 de verdadeiros encontros. De presença. De presente. Estamos juntos. No amor. Quem fica no presente é a vida. A morte está no passado. Ou no futuro. No aqui é agora, só há vida. Só há amor e compaixão. Desenvolva essa idéia. Desenvolva o novo. Liberte-se do padrão da dor e do sofrimento criado até aqui. Faça contato com o ritual dessa data de ano novo. Simbolize o que está no inconsciente coletivo. Se é essa a mensagem, veja o quê dessa mensagem pode fazer sentido. Separe a morte da vida.
É possível.

Com amor, muito amor,

Adriana

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Sobre adrianathomaz

Na vida: autenticidade e coerência íntima, amor, muito amor, fé e fotografia! Educação para a morte e o morrer. Terapia do Luto, Dor e Medicina Paliativa.
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10 respostas para Meu presente, a Bel, o Natal, 2014.

  1. Deia Murgel disse:

    Llindo texto para o ano novo Dri, quanto ensinamento, pureza de sentimentos através de suas lindas e sábias palavras. Um dos meus encontros desse ano foi co voce! Muito obrigado!
    Beijo cheio de amor

  2. Patricia Nasr disse:

    Estou aprendendo com vc, com a Terapia, a Reinventar a Vida,Resignificar,caminhar sobre uma nova realidade, um novo caminho, uma nova Vida a seguir!!!

  3. Jamais vou excluir este presente de Natal.
    Preciso ler e reler a todo instantes estas palavras que tocaram meu coração que ainda está sangrando com a perda de minha irmãzinha,
    Hoje faz 03 meses e parece que foi ontem,
    Vc.é meu anjo da guarda Dra. Adriana e espero que nossos laços nunca se apaguem,
    Peço a Deus que ilumine sua vida cada vez mais,
    Agradeço a Deus por ter me colocado no seu caminho.
    Hoje tá dificll tá….mais com seus aconselhamentos sua sabedoria creio que nosso Deus vai me ajudar,
    Bjosss e um grande e demorado abraço. Feliz Natal e Ano Novo,

  4. IZABELA disse:

    Adriana, Sou sou fã, hoje estava precisando das suas doces palavras, repassarei esse texto para o pessoal do nosso grupo de mãe e pais que perderam filhos, e que DEUS te abençoe hoje e sempre….

    • adrianathomaz disse:

      Izabela querida,

      Te respondi e não sei se foi… Foi?
      as vezes respondo textos inteiros… Enormes… Mas por ser pelo iPhone ( acho que é isso…) nem vejo que não vai…
      Saiba que pensei, escrevi, mandei muuuuitas palavras pra vc naquele dia…
      A energia foi!
      Muito amor e gratidão pelo seu carinho comigo,
      Dri

  5. Rosangela Ribeiro disse:

    Oi Adriana,
    Agradeço de todo coração, por compartilhar este Presente.
    Muita Luz e Paz.
    Rosangela

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