Luto Coletivo – As pessoas não sabem a quem perdoar, elas não sabem como deixar ir.”

Iniciando o que serão os primeiros pensamentos para minha participação no Studio i amanhã as 14h, ao vivo, a primeira reação de Luto Coletivo que me vem a cabeça foi NYC e seu 11 de setembro… Carla Ross, especialista em luto de Raleigh, Carolina do Norte, alega que muitos americanos estão ainda “ativamente enlutados” pelo 11/09. 
”Há duas coisas que tornam este luto (coletivo) muito complicado para as pessoas”, disse Ross, professora de comunicação na Meredith College. “As pessoas não sabem a quem perdoar. Elas não sabem como deixar ir. E no lugar de elaborar o luto e “deixar ir”, estamos culpando toda uma cultura de pessoas. As pessoas estão realmente “lutando com isso.”
Homenagens póstumas como parques ou praças podem ajudar “este parque ajuda a colocar a coisa toda em perspectiva e penso que este fato é um dos que nos fazem perder a inocência profundamente e que nos ajuda porque não queremos esquecer.” “Meus filhos não vão crescer com uma falsa sensação de segurança, pensando que eles são imunes à violência no mundo.”
Trechos principalmente, do trabalho da jornalista Tamara Lush: A decade, and counting, of publicly mourning 9/11 – Published: Saturday, July 09, 2011; Last Updated: Sat. Jul 9, 2011, 10:23am.
Amanhã será o funeral dos mortos na chacina acontecida na França, dia 07/01/2015 onde, como apresenta a notícia na web(*) “Das 12 pessoas que morreram no ataque à sede da revista “Charlie Hebdo” oito eram jornalistas, dois eram policiais, uma era visitante e outra atingida do lado de fora do edifício. O atentado também deixou 20 feridos. Entre as vítimas, a França perdeu 4 de seus melhores cartunistas: os chargistas Charb, Cabu, Tignous e Wolinski.”
Sinais de Luto Coletivo se apresentam já sob a forma da Revolta aqui descrita como:
“Protesto
Milhares de pessoas protestam na emblemática Praça da Republica, no centro de Paris, em silêncio absoluto contra o massacre.
Os manifestantes responderam às convocações espontâneas realizadas através das redes sociais e muitos deles levaram cartazes com a inscrição: “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”). A mesma mensagem está postada no site oficial da publicação em sete idiomas. A emoção domina os presentes, e alguns deles choram com exemplares da revista nas mãos. Velas e cartazes foram colocados em um monumento que existe na praça. “É o dia mais triste da minha vida. ‘Charlie Hebdo’ é uma publicação simbólica para a juventude francesa. Já não resta ninguém que faça imprensa de esquerda”, comenta à Agência Efe um estudante do ensino médio identificado apenas como Hugo.
Sasha, outro jovem presente no local, explica que participa da manifestação para impedir que as pessoas confundam “os que cometeram o atentado e todos os muçulmanos da França”. De acordo com a imprensa local, milhares de franceses participam também de concentrações em cidades como Toulouse, Pau, Marselha, Lyon e Nantes.”
(*)http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2015/01/dos-12-mortos-em-ataque-revista-francesa-8-eram-jornalistas.html
Atitudes imediatas e extremas tomadas pelos representantes do país, só vêm reforçar tanto a entrada no estado de enlutamento quanto o início do processo de busca pelas ferramentas e recursos internos para a “organização” do luto. Dessa forma, a notícia veio, do Presidente, imediatamente: ” Chargistas de muito talento foram mortos. Hoje eles são nossos heróis e, por isso, amanhã será dia de luto nacional. Ao meio dia haverá um momento de recolhimento no serviço público e convido toda a população a participar. As bandeiras serão baixadas por três dias”. O Presidente Hollande disse também que o país deverá “responder a altura do crime que nos atinge” e pediu que a população francesa se una para enfrentar o episódio. “A nossa melhor arma é a nossa união. Nada pode nos dividir, nada deve nos separar”, declarou. “A união de todos os nossos cidadãos durante essa dificuldade. Devemos nos reunir diante dessa ameaça e ter capacidade de crer em nosso destino”, acrescentou. Aqui ele reforça o que chamamos de rede de apoio, que no Luto Coletivo é a população como um todo, onde todos se solidarizam na dor e ainda faz o que chamamos de ” conferir significado”: “é parte do nosso destino e temos que continuar acreditando nele” – pronto. Aqui está a poção mágica para milhões de enlutados nas ruas. Unidos. Mas a dor é grande. E os ataques seguem aos judeus. Morrem os assassinos dos cartunistas. Ainda assim a justiça não é feita. Segue a dor e o luto. Não há culpados, em quem colocamos a revolta? A quem devemos perdoar? Afinal, o Islã não é representado por aqueles irmãos… Trata-se de um luto coletivo que tende a se cronificar. Paris precisa erguer Marcos Zero, praças, fazer insistentes homenagens. Foi assim que NYC sobreviveu. O Luto coletivo cronificado pelo 9/11 ainda é mais difícil de ser falado e tolerado fora de NYC, mostram as pesquisas. A razão? Foi menos falado, homenageado, trabalhado.
Ainda no calor das emoções, o que se faz em Paris é manifestar a revolta – sentimento próprio do Luto. O grande desafio, é fazê-lo sem provocar mais revolta e mais dor. A linha aqui é bastante tênue.
Pela liberdade de expressão, desde que não seja uma manifestação clássica da dor do luto, coisa que neste momento me parece impossível,
Deixo aqui meu abraço às famílias enlutadas, aos jornalistas, cartunistas, do mundo todo, aos franceses, judeus, pessoas que tem no islamismo uma visão de amor e paz, policiais, enfim, a cada pessoa que possa ter sentido a dor da perda,

Até amanhã, as 14h, no Studio i, na Globonews,

Adriana

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Sobre adrianathomaz

Na vida: autenticidade e coerência íntima, amor, muito amor, fé e fotografia! Educação para a morte e o morrer. Terapia do Luto, Dor e Medicina Paliativa.
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