Sim, Teresa. Eternas são as Nuvens, minha amiga.

Recebi um texto de uma amiga e poetisa, a Teresa Gouvea. Reproduzo parte aqui. Sinto que muitos de vocês irão, como eu, se sentir como que “traduzidos” nas próximas linhas.

Escolhendo a paz, as nuvens e a eternidade,

Adriana

“Somos o que nascemos e o que escolhemos viver, somos o que ganhamos, o que perdemos, o que boicotamos e o que nunca alcançamos.
É muito libertador fazer as pazes com nossa história. Do que nos serve ter rombos na linha do tempo? Negar, bloquear, tornar inacessíveis as lembranças, impossibilitar um resgate saudável do vivido? Do que nos serve chamar ex-companheiros de falecidos ou equívocos? É injusto conosco. É empobrecedor. Temos essa mania de achar que só o que dura para sempre é um sucesso. Durabilidade nunca foi sinônimo de segurança, assim como o efêmero não é sinônimo de fracasso. Uma jaula é segura e nem por isso um lugar feliz, da mesma forma que viagens são fugacidades maravilhosas que se perpetuam dentro de nós. Nenhuma história é vã. Nada é. Nossa alma-memória, aquela que nos identifica, define e referencia, é como uma colcha de retalhos; alguns retalhos são mais bonitos que outros, mas todos são necessários.
“Amar o perdido deixa confundido o coração” (Drummond) porque é amar o intangível, o que, não sendo mais, ainda resiste, insiste e ressignifica o que antes tinha outro nome e valor. Amar o perdido é reconhecer que muito tempo, energia e as melhores intenções foram investidas, empenhadas e depositadas numa relação, num incrível voto de confiança no outro e na Vida. Sim, mesmo os grandes erros e as falências retumbantes têm histórias comoventes e belas. Amar o perdido é entender que nada se perde.
Amar o perdido só é possível quando você volta para a casa dentro de você. Melhor que dar a volta por cima, é voltar para si mesma. Nessa hora você se sabe inteira, apaziguada, de bem com sua história. Aí, você entende o weCloud e lembra de Quintana dizendo: “eternas são as nuvens”, e você se comove com a certeza de que um certo “para sempre” existirá, pois “as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão” (CDA).
É isso, não fica o que é lindo. Fica o que finda. Fica de um jeito real. Não fica lindo só porque finda. Fica, porque finda, e, quando finda, fica o que foi de verdade, o que nunca finda.
As coisas findas ficam. Perdidas, talvez, mas para sempre nossas. Eternas, como só as nuvens podem ser.”

Eternas são as Nuvens, Hilda Lucas.

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Encontros e Despedidas

Encontros e Despedidas
Milton Nascimento

Mande notícias
Do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando…
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero…
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Prá nunca mais…
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir…
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida…
A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida…

A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida…

Composição: Fernando Brant / Milton Nascimento

Vão-se Marias, Josés
Vão-se Eduardos
Vêm-se Eduardos
Vê-sem Manuelas
Vão-se Elianas
O trem que chega é o mesmo trem da partida…
É a vida desse meu lugar
É a vida.

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Estúdio i 15/01/2015

http://globotv.globo.com/globo-news/estudio-i/t/convidados/v/medica-terapeuta-do-luto-adriana-thomaz-fala-sobre-luto-coletivo-no-caso-de-atentados/3895348/

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Luto Coletivo – As pessoas não sabem a quem perdoar, elas não sabem como deixar ir.”

Iniciando o que serão os primeiros pensamentos para minha participação no Studio i amanhã as 14h, ao vivo, a primeira reação de Luto Coletivo que me vem a cabeça foi NYC e seu 11 de setembro… Carla Ross, especialista em luto de Raleigh, Carolina do Norte, alega que muitos americanos estão ainda “ativamente enlutados” pelo 11/09. 
”Há duas coisas que tornam este luto (coletivo) muito complicado para as pessoas”, disse Ross, professora de comunicação na Meredith College. “As pessoas não sabem a quem perdoar. Elas não sabem como deixar ir. E no lugar de elaborar o luto e “deixar ir”, estamos culpando toda uma cultura de pessoas. As pessoas estão realmente “lutando com isso.”
Homenagens póstumas como parques ou praças podem ajudar “este parque ajuda a colocar a coisa toda em perspectiva e penso que este fato é um dos que nos fazem perder a inocência profundamente e que nos ajuda porque não queremos esquecer.” “Meus filhos não vão crescer com uma falsa sensação de segurança, pensando que eles são imunes à violência no mundo.”
Trechos principalmente, do trabalho da jornalista Tamara Lush: A decade, and counting, of publicly mourning 9/11 – Published: Saturday, July 09, 2011; Last Updated: Sat. Jul 9, 2011, 10:23am.
Amanhã será o funeral dos mortos na chacina acontecida na França, dia 07/01/2015 onde, como apresenta a notícia na web(*) “Das 12 pessoas que morreram no ataque à sede da revista “Charlie Hebdo” oito eram jornalistas, dois eram policiais, uma era visitante e outra atingida do lado de fora do edifício. O atentado também deixou 20 feridos. Entre as vítimas, a França perdeu 4 de seus melhores cartunistas: os chargistas Charb, Cabu, Tignous e Wolinski.”
Sinais de Luto Coletivo se apresentam já sob a forma da Revolta aqui descrita como:
“Protesto
Milhares de pessoas protestam na emblemática Praça da Republica, no centro de Paris, em silêncio absoluto contra o massacre.
Os manifestantes responderam às convocações espontâneas realizadas através das redes sociais e muitos deles levaram cartazes com a inscrição: “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”). A mesma mensagem está postada no site oficial da publicação em sete idiomas. A emoção domina os presentes, e alguns deles choram com exemplares da revista nas mãos. Velas e cartazes foram colocados em um monumento que existe na praça. “É o dia mais triste da minha vida. ‘Charlie Hebdo’ é uma publicação simbólica para a juventude francesa. Já não resta ninguém que faça imprensa de esquerda”, comenta à Agência Efe um estudante do ensino médio identificado apenas como Hugo.
Sasha, outro jovem presente no local, explica que participa da manifestação para impedir que as pessoas confundam “os que cometeram o atentado e todos os muçulmanos da França”. De acordo com a imprensa local, milhares de franceses participam também de concentrações em cidades como Toulouse, Pau, Marselha, Lyon e Nantes.”
(*)http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2015/01/dos-12-mortos-em-ataque-revista-francesa-8-eram-jornalistas.html
Atitudes imediatas e extremas tomadas pelos representantes do país, só vêm reforçar tanto a entrada no estado de enlutamento quanto o início do processo de busca pelas ferramentas e recursos internos para a “organização” do luto. Dessa forma, a notícia veio, do Presidente, imediatamente: ” Chargistas de muito talento foram mortos. Hoje eles são nossos heróis e, por isso, amanhã será dia de luto nacional. Ao meio dia haverá um momento de recolhimento no serviço público e convido toda a população a participar. As bandeiras serão baixadas por três dias”. O Presidente Hollande disse também que o país deverá “responder a altura do crime que nos atinge” e pediu que a população francesa se una para enfrentar o episódio. “A nossa melhor arma é a nossa união. Nada pode nos dividir, nada deve nos separar”, declarou. “A união de todos os nossos cidadãos durante essa dificuldade. Devemos nos reunir diante dessa ameaça e ter capacidade de crer em nosso destino”, acrescentou. Aqui ele reforça o que chamamos de rede de apoio, que no Luto Coletivo é a população como um todo, onde todos se solidarizam na dor e ainda faz o que chamamos de ” conferir significado”: “é parte do nosso destino e temos que continuar acreditando nele” – pronto. Aqui está a poção mágica para milhões de enlutados nas ruas. Unidos. Mas a dor é grande. E os ataques seguem aos judeus. Morrem os assassinos dos cartunistas. Ainda assim a justiça não é feita. Segue a dor e o luto. Não há culpados, em quem colocamos a revolta? A quem devemos perdoar? Afinal, o Islã não é representado por aqueles irmãos… Trata-se de um luto coletivo que tende a se cronificar. Paris precisa erguer Marcos Zero, praças, fazer insistentes homenagens. Foi assim que NYC sobreviveu. O Luto coletivo cronificado pelo 9/11 ainda é mais difícil de ser falado e tolerado fora de NYC, mostram as pesquisas. A razão? Foi menos falado, homenageado, trabalhado.
Ainda no calor das emoções, o que se faz em Paris é manifestar a revolta – sentimento próprio do Luto. O grande desafio, é fazê-lo sem provocar mais revolta e mais dor. A linha aqui é bastante tênue.
Pela liberdade de expressão, desde que não seja uma manifestação clássica da dor do luto, coisa que neste momento me parece impossível,
Deixo aqui meu abraço às famílias enlutadas, aos jornalistas, cartunistas, do mundo todo, aos franceses, judeus, pessoas que tem no islamismo uma visão de amor e paz, policiais, enfim, a cada pessoa que possa ter sentido a dor da perda,

Até amanhã, as 14h, no Studio i, na Globonews,

Adriana

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Fim de ano, dias de renovação – é sempre possivel?

Com o final do ano as propostas e cobranças por uma “energia de renovação” são quase insistentes. Pessoas amigas, parentes próximos, muitas vezes nós mesmos nos pegamos internamente numa busca incessante pela tal “mudança”. A questão é que nem sempre, durante o luto, a nossa emoção acompanha o calendário festivo. Especialmente nas datas que exigem a tal “alegria renovadora” e a “energia transformadora”, acompanhadas é claro por inúmeros, brilhantes, iluminados e coloridos Fogos de Artifício!!! Olha, às vezes, não dá. Simplesmente não dá. Está tudo brilhando lá fora e aqui dentro… nada.
Um sorriso amarelo estampado no rosto, se existem outros filhos, ou se a força motriz é muito grande, ou ainda se a vontade de “melhorar” é maior ainda. Mas às vezes não dá mesmo. E aí, queridos leitores, minha sugestão é: respeitem seus processos de enlutamento, sem ferir ou agredir seus companheiros e parentes. Agradeçam de coração os convites para as festividades e façam apenas o que de comum acordo com a família nuclear, vocês puderem e conseguirem fazer. Não há regras aqui. No luto não há o que vá melhorar ou piorar. Há sim, o que vai melhor ou piorar VOCÊ. É você que deve saber como pode e deseja passar seu “Ano Novo”. Pense com calma numa forma de exprimir seu amor ao seu querido que morreu, em forma de algum ritual simples. Não tente fazer com que esse dia seja “um dia qualquer”, por mais que dentro de você não haja “alegrias e energias renovadoras”. Esse não é um dia qualquer. Faça algo especial com, para e por seu ente querido. Uma flor, um passeio até o mar, o verde, uma comida especial, um lugar especial, uma cerimônia espiritual, todas essas são formas de “ritualizar” as datas especiais. Não precisa ser “estourando um champanhe na beira da praia de Copacabana”… mas precisa ser algo significativo para você.

Desejo que o Desejo de Mudança e Renovação que está no inconsciente coletivo, no Plano, no Céu, em Deus, no Amor Maior, ou apenas no Ar, ainda que nem todos possamos “acessar” te banhe nesta noite e te sirva de alguma nutrição para o vazio que você possa estar sentindo se, de alguma forma, se identificou com as palavras acima descritas,

Com muito amor,

Adriana

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Tudo nesse mundo tem seu tempo

Tudo neste mundo tem seu tempo;
cada coisa tem sua ocasião.

Há um tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derrubar e tempo de construir;
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar:
tempo de chorar e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de afastar;
Há tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
tempo de rasgar e tempo de remendar;
tempo de ficar calado e tempo de falar.
(…) tempo de guerra e tempo de paz.

Salomão
Eclesiastes 3:1-8.

Que ao vivenciar o processo do luto possamos aprender esta importante lição: Cada coisa tem seu tempo.

Que possamos ter paciência conosco e com o próximo,

E que em dezembro – mês de tantos desafios, cumpra-se o que estiver no tempo de se cumprir.

Amor e luz a todas as pessoas que estão no caminhar do luto,

Adriana

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Tornar-se Presente

Terra de Rudá (e eu, Adriana) convida(mos):

Tornar-se Presente – Uma experiência em Pertencimento.

Quando: Nesta segunda-feira dia 8 de dezembro das 18h às 18:10h.

Ou neste dia 8 por 10 min em qualquer momento.

Ou por 10min em qualquer dia da semana em que o tema
semanal for proposto pela Terra de Rudá.

Esta potente experiência se dará preferencialmente no início da semana, todas as segundas-feiras durante quatro estações (do final da primavera de 2014 até o final da primavera de 2015).

Onde: Onde quer que você esteja. No carro, metrô, ônibus, na rua, em casa, fazendo comida…

Custo: ZERO

Objetivo: Criar um “Campo de Potência” em que, aos poucos, possamos vivenciar algumas etapas:

1- Fazer contato com o que se está sentindo.

2- Não se identificar com a mente.

3- Ver emergir a força numinosa do Agora.

4- Sentir-se disponível ao Mistério.

5- Surfar o Fluxo.

Essas são etapas necessárias para que tomemos nossa vida em nossas mãos. Limparmo-nos de velhas crenças abre espaço para que novos rumos se apresentem.

Dinâmica de 10min:

1- Nos primeiros 5 min entraremos em contato com o que estamos sentindo e faremos uma pequena reflexão sobre o tema proposto pela Terra de Rudá que será renovado a cada semana.

2- Nos outros 5 min ficaremos em silêncio. Na continuidade da prática talvez observemos alguma evolução:

a) Viveremos um silêncio repleto de pensamentos e inquietações.

b) Este silêncio ficará mais consistente com menos pensamentos.

c) Um estado de maior tranquilidade se apresentará.

d) Algumas vivências interiores interessantes começarão a acontecer.

e) Você, aos poucos, se sentirá mais inteiro, mais presente, mais disponível à você e isso é condição fundamental sem a qual estaremos no “piloto automático” e portanto, presa fácil para sermos manipulados por interesses que não representam o que somos e desejamos.

Outras informações como:

Porque as segundas-feiras, porque as 18h, porque um determinado tema semanal… vocês encontrarão na página da Terra de Rudá no facebook ou no site http://www.terraderuda.org.br.

Whatsapp: Grupo Tornar-se Presente (21- 98505-8500).

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Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida, 2014

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Dia 11/10/2014 – Dia Mundial dos Cuidados Paliativos e do Hospice

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Minha homenagem a todos os PaliAtivistas do mundo. Somos guerreiros.
Que o Universo nos dê força para continuarmos em frente nessa linda missão.

Minha homenagem esse ano vai para D. Maria Apparecida Albuquerque Sadock de Sá e sua família, que resistiu às pressões da sociedade e ofereceu, como foi o desejo de D Apparecida, cuidados dignos, para que ela ficasse todos esses anos em sua casa, onde morreu em paz.
Um beijo, D Apparecida. foi uma honra.

E agora, vamos arregaçar as mangas e fortalecer os cuidados paliativos as crianças também!

Abraços fraternos,

Adriana

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Sobre o Luto, no luto.

” (…) No começo tudo é horrível: só desespero e dor. No choque inicial, palavras e gestos de conforto, embora essenciais, podem até parecer ofensivos a quem sofre tanto. Paciência com a pessoa enlutada faz parte dos cuidados em relação a ela: a dor é natural e necessária. Mas nossa frivolidade abomina silêncio, recolhimento e tristeza; queremos que o outro não nos perturbe nem ameace com suas lágrimas. Então dizemos: “Reaja! Não chore! Controle-se!”, embora seja até perverso exigir isso de alguém que está de luto. Uma jovem reclamou que sua mãe, viúva, não parava de chorar. Desconfiei daquela vagamente irritada preocupação e perguntei: “Quanto tempo faz que seu pai morreu?”.

A resposta veio imediata: “Quinze dias”. Sugeri que ela deixasse a mãe com seu sofrimento, para que um dia ela pudesse se recuperar.

Porque, mesmo que não haja verdadeiro consolo, existe a possibilidade de, a seu tempo, cada um se recompor. Ainda que a gente nunca mais seja a mesma, mudar não é tornar-se pior.
(…)
Esse é um dos segredos de não sobreviver como vítima que se arrasta indefinidamente, mas como quem reencontrou em si, de uma outra forma, o que parecia perdido. (…)

Lya Luft

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